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Fica Mané Garrincha!

Posted 17 nov 2011 — by Sabrina Mix
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Oi, pessoal!

Primeiramente gostaria de falar que não torço para o Botafogo. Meu time de coração é o Palmeiras.

Mas tem coisas que deixam (ou deveriam deixar) o torcedor de qualquer time indignado, é o caso de quando o poder público quer tentar enterrar as memórias de ídolos da nossa nação.

O Estádio Mané Garrincha em Brasília foi inaugurado em 1974, agora está em reforma para a Copa de 2014. Passados quase 40 anos, agora querem mudar seu nome para o amorfo nome de Estádio Nacional de Brasília.

Muito mais “nacional” é o que Garrincha representou e continua representando para o esporte brasileiro! Fato raro no Brasil, Mané Garrincha foi homenageado por todos os brasileiros ainda vivo, aos 40 anos de idade! Homenageado pelo que fez pelo esporte nacional não somente pelos botafoguenses, mas por todos os brasileiros que o reconhecem também como o principal responsável pelas conquistas das Copas do Mundo de 1958 (Suécia) e 1962 (Chile).

Assim, foi criada uma manifestação/abaixo-assinado representando a vontade popular dos brasileiros, lutando pela manutenção do nome Mané Garrincha no reformado Estádio, mantendo a memória do Brasil nos esportes! Cabe lembrar que todos os demais estádios em reforma para 2014 continuarão com o mesmo nome!

Só um “detalhe”, gostaria que vocês soubessem que quando Pelé e Garrincha estavam em campo juntos a Seleção Brasileira jamais perdeu uma partida!

Assine o abaixo-assinado e divulgue essa ação!

Papai é o maior

Posted 20 jun 2010 — by Sabrina Mix
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O texto abaixo foi escrito por Marcelo Pires e está em seu livro P.S. do P.S. do P.S., publicado em 1995. Como estamos em meio à Copa do Mundo e hoje também é comemorado o Dia dos Pais na África do Sul, nada mais justo que publicar este texto aqui. Espero que gostem!

Tem coisas que, para uma menina, são difíceis de entender. A importância do futebol na vida de um filho e de um pai provavelmente é uma delas.

Pai é um cara que, numa sociedade machista que nem a nossa, tá sempre fora de casa, tá sempre dando duro pra segurar as pontas da família. Claro que isso está mudando e, hoje em dia, cada vez mais, é o pai e a mãe que estão sempre fora de casa dando o maior duro, pra segurar a onda.

Mas, mudanças à parte, imagine o que significa, no domingo, o pai, que passou quase toda semana fora, pegar o filho pela mão e dizer: “Hoje a gente vai ao jogo.” O filho já fica todo bobo: a chata da irmã nem foi convidada. Daí o seu pai, com um sorriso malandro no rosto, completa: “E aqui está a camiseta do nosso time. De presente, pra você.” É a glória. Você vira do time do seu pai naquele mesmo instante, dez vezes mais fanático pelo time do seu pai do que o seu próprio pai.

Então vocês vão para o campo.

Como tem muita gente em volta, seu pai segura a sua mão toda hora, com medo que você (cabeça de vento) se perca na multidão. Aquela precaução, pra você que tinha passado quase toda a semana sem dar a mão pro seu pai, significa muito mais do que simples cautela.

Pronto. Você já está nas arquibancadas do estádio. E, de repente, passa o cara do cachorro-quente. Você  tem idéia da importância deste momento? O homem do cachorro-quente, cara leitora! Seu pai, mesmo distraído pelo radinho de pilha, chama o homem e pede um pra você. Sim, o seu pai faz isso. O pão está meio duro. A salsicha. completamente fria. Mas, mesmo assim, esse é o melhor cachorro-quente do mundo, que jamais na sua vida você vai comer igual. Com o refrigerante que seu pai compra é a mesma coisa. É a velha guaraná de sempre. Mas que diferença! O gás do refrí acompanha o ritmo do resto do estádio – que, a esta altura, já está borbulhando. É que o time do seu pai está entrando em campo. E o seu pai vibra. O time do seu pai saúda a torcida. E o seu pai sorri cúmplice pra você.

O time do seu pai dá o pontapé inicial. E o seu pai faz, discretamente, o sinal-da-cruz. Apesar das várias oportunidades, o time do seu pai chega ao final do pri¬meiro tempo sem fazer gol.

Intervalo. Você quer ir ao banheiro. Seu pai explica onde é. E você vai. Sozinho! Se a sua mãe estivesse ali, imagina, nunca que você iria sozinho. Mas você vai. E volta. Numa boa.

No segundo tempo, o time do seu pai continua jogando super bem. Mas nada de gol. Você vê seu pai gritar, roer a unha, mexer no cabelo, dizer palavrão, xingar o bandeirinha. E o time do seu pai que, afinal, não é o time do seu pai por acaso, não decepciona. Faz um golaço aos 37 minutos do segundo tempo. O estádio vem abaixo (você se assusta), seu pai grita muito (você se assusta), todo mundo começa a cantar o hino do clube (você se acalma).

Acaba o jogo e, no caminho de volta, você vem pertinho do seu pai – com a desculpa de também ouvir o radinho de pilha.

Você chega em casa, sua irmã tá lá com aquela cara de quem não viveu tudo o que você viveu e, evidentemente, você não comenta nada – que futebol é coisa de homem. Perfeito.

E o tempo vai passando, todo domingo é dia do pai – já que todo domingo tem jogo do seu time. E se o jogo é longe, em outro estado, em outro estádio, vamos à TV da sala, ou ao rádio do carro, sofrer juntos (o rádio do carro, até hoje, é imbatível no que se refere a trans¬missões de futebol).

Comigo, cara leitora, aconteceu exatamente assim. Meu pai, seu Salvador, o Giuliano, me deu a camisa (e a bandeira) do Inter, de Porto Alegre. Me levou um monte de vezes até o estádio Beira-Rio e eu acabei virando colorado doente (coloquei o número 5 na minha camisa em homenagem ao maior craque que vi jogar ao vivo, Paulo Roberto Falcão).

Quer dizer: compreenda seus irmãos quando eles virarem uns pentelhos tarados por futebol. É tudo des¬culpa. Eles estão apenas querendo passar mais tempo na companhia do pai de vocês. E entenda que eu fale sobre um assunto desses. É que este PS. foi dedicado a agosto, mês dos pais.

E agosto não é apenas o mês dos pais. É também o mês do aniversário do meu pai. Impossível resistir.

Giuliano, querido, um puta abraço. O Inter não anda lá essas coisas. Mas tudo bem. O melhor Inter, o Internacional campeão, é aquele que a gente assistia juntos lá na social do Beira-Rio. Esse Inter tá guardado pra sempre no coração. Coração que, por sinal, é vermelhinho, vermelhinho da silva.

E, pra encerrar este PS. do PS. com jeito de revista Placar, os primeiros versos do hino do Inter – versos que, na verdade, resumem tudo o que tentei dizer aqui a respeito de pais e filhos:

Papai é o maior,
papai é que é o tal,
que coisa louca,
que coisa rara,
papai não respeita
a cara.