Posts Tagged ‘danuza leão’

Todo mundo é viciado

Posted 12 mai 2011 — by Sabrina Mix
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Todo mundo que depende de alguma coisa para viver é um viciado, certo? Menos os que fazem parte daquela turma saudável que tem horror ao cigarro e se acha um ser superior por não ter nenhum vício; mas será mesmo?

Faz parte de sua rotina acordar, abrir a geladeira e pegar o de-li-ci-o-so suco de laranja, cenoura, beterraba e mel que a empregada acabou de fazer; mas segunda-feira é o dia em que ficou combinado que ela ou chega tarde ou não chega porque ficou doente.

Furioso, ele – que não tem vício nenhum – desce e ruma, desatinado, para uma loja de sucos. E ai de quem ousar encontrar qualquer semelhança entre esse ser saudável e aquele verme dependente de nicotina que sai de madrugada procurando desesperadamente um botequim para comprar um maço de cigarros. Nada a ver, é claro.

Tomar vários cafezinhos durante o dia, o sagrado chope na saída do escritório e três caipirinhas antes da feijoada de sábado são considerados vícios, porque fazem mal à saúde. Mas existem milhares de coisas saudabilíssimas tão viciantes quanto qualquer droga pesada.

Correr na praia de manhã, escovar os dentes depois do almoço, chegar em casa e ir direto para o chuveiro, entrar no carro e ligar o rádio não são vícios, por acaso? Fora o maior de todos: a televisão.

Existe gente que chega em casa e antes de tirar o paletó já liga a TV; as teclas do controle remoto já estão gastas de tanto trocar de canal, e onde encontram coragem para desligar a máquina? Para evitar essa dor foi inventada a tecla timer, assim a televisão se apaga sozinha em noventa minutos, quando já estiver dormindo. Isso é que é amor – e vício.

Existem dois tipos de homem: aqueles que não podem passar um dia sem transar e os que não podem passar um dia sem transar várias vezes.

Como o dia tem só vinte e quatro horas e oito são dedicadas ao trabalho, sete ao sono, duas às refeições, pelo menos uma aos jornais e à televisão, uma no trânsito e umas duas no bar contando que não pode passar nenhum dia sem transar, fica apenas uma dúvida: o vício é a transa ou falar da transa?

Comentar sobre as riquezas das pessoas – não importa de quem – também é uma mania. Existe gente que delira quando fala sobre o gângster (ou seria um produtor de cinema?) que acendia o charuto com notas de cem dólares ou do sultão de Brunei que tem uma Rolls em que todas as peças de metal são de ouro, mesmo que tenham sabido dessas histórias apenas pelas revistas. Vício por vício, são exatamente iguais aos que só se sentem felizes quando falam de tristezas e tragédias.

Uma boa doença é um prato saboroso e inesgotável, e para os que têm algum conhecimento de medicina aí é a sopa no mel: com verdadeira volúpia contam o resultado do exame de sangue de um, da hipertensão do outro e adoram intuir, achando que a coisa pode ser muito mais grave do que estão dizendo – ela conhece, já teve um amigo que ninguém poderia imaginar, casado, com filhos – e por aí vai.

Existem os viciados em fazer análise e estão há trinta anos contando as mesmas histórias para o mesmo analista – coitadinho dele -, e os que têm tudo para ser felizes, mas passam o tempo procurando e encontrando razões para se queixar da vida.

Todos temos nossos vícios; os que fazem mal à saúde – e nesses os amigos, a família e até o governo se metem – e os que são altamente considerados por toda a sociedade, como trabalhar à noite e nos fins de semana ou se sacrificar por alguma causa – esses, louvados em prosa e verso.

Será que vício se escolhe? Pois então tente se viciar em alegria: ela não intoxica nem faz mal à saúde e usada em altas doses é capaz até de mudar o mundo, mas cuidado: pessoas alegres não costumam ser levadas a sério. Por isso, quando estiver com um certo tipo de gente, fique sério e mostre-se extremamente preocupado com a situação em geral.

E não se surpreenda se for promovido e tiver seu salário aumentado. Tem gente que acredita em gente que faz cara de séria, e esse também é um vício – e dos piores.

Texto de Danuza Leão
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Instruções para deslumbrados

Posted 28 mar 2011 — by Sabrina Mix
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Eles são deslumbrados e querem ascender socialmente. Que gente é essa? O que pensa da vida? Quais os sonhos dessa raça tão especial?

Eles adoram sempre estar perto de gente rica. Rica e famosa, é claro. Ficam íntimos, ouvem os problemas, quebram pequenos galhos, fazem qualquer coisa, para gozar do privilégio de conviver com essas pessoas. Ser convidado para um fim-de-semana na fazenda ou na ilha, por exemplo, é a glória total. Se o convite der direito a carona de helicóptero ou jatinho, aí nosso deslumbrado morre, literalmente, de tanta felicidade. Mesmo tendo pavor de voar, ele supera, pelo orgulho de estar próximo a pessoas tão poderosas. Para contar depois, é lógico.
Escolher com quem pode/deve ser visto, é muito, muito importante. Amigos da vida toda, mas sem nenhuma expressão social devem ser evitados. Não estou falando de cortar relações, imagina. Mas nosso amigo deve tomar cuidado e não se mostrar em público com gente sem expressão, anônima. Se for mesmo preciso encontrá-Ias, deve escolher um restaurante simpatiquinho mas que não costuma ser frequentado por ninguém ‘conhecido’. Importante, essa palavra. Como se sabe, o mundo se divide entre pessoas ‘conhecidas’ e as ‘não-conhecidas’, deu para entender? Mas se o amigo, apesar de obscuro, for dono de 50 mil cabeças de gado, 300 cavalos árabes e 3 jatinhos (para percorrer suas 38 fazendas), mesmo fazendo parte da turma dos ‘não-conhecidos’, vão poder ser vistos juntos, sem problema. E afinal, ninguém vai sair pelo pasto contando se são mesmo 50 mil bois ou 500.

No início da carreira (é uma carreira, sim, e deve ser levada a sério), deve aceitar todos os convites. Inauguração de churrascaria, caipiródromo, lançamento de um novo desodorante. Mas à medida que o prestígio social for subindo, deve ir se tornando mais difícil. Não deixe que aquela velha amiga que está lançando um livro (sem nenhuma repercussão) desvie você do caminho traçado.

Não vá, simplesmente não vá. A vida é coisa séria, e sentimentalismos não levam a nada. A nada que interesse, bem entendido.

Leia com atenção todos os jornais, para saber do movimento social da cidade. Uma socialite vai festejar seu aniversário no restaurante ‘xis’? Mesmo sozinho, dê uma passada, tome um drinque no bar, fale ao telefone. Mas nunca a um celular, a não ser que esteja em BrasÍlia (nesse caso, deve levar dois). Não perca um enterro de gente famosa. Como para velórios não se precisa de convite, vá cedo, faça uma cara compungida e fique até o fim. Vão achar que era íntimo do morto, e isso pode ser muito útil, no futuro.

Se ouviu falar que aquele casal chiquérrimo, que jamais tomou conhecimento de sua existência, está indo passar um mês em Paris, esta é a oportunidade. Banque uma primeira classe e reserve para a mesma data. E não me venha com pobrezas, o preço etc. Considere isto um investimento e fique no mesmo hotel, se possível. Estando sem cacife, vá para um mais modesto (mas que seja próximo). Investigue os restaurantes que eles frequentam, a que horas saem de manhã etc. Esteja sempre por perto. Com habilidade, pode surgir a oportunidade de combinarem um jantar. Escolha um bistrô maravilhoso, que só os franceses conhecem, e pague a conta. Com isso, você força uma retribuição, e depois de jantarem duas vezes, se não ficarem Íntimos, é porque você é mesmo muito incompetente.

Você está indo bem. Mas falta uma coisa importantíssima: começar a ser chamado, nas colunas, de “o internacional Fulano de Tal”. E o que é preciso, para esta glória suprema? Simples.

Quando chegar um estrangeiro famoso, grude nele. Seja guia turístico, motorista, confidente; vá marcar a passagem, consiga convites (boca-livre, eles adoram). Leve à macumba, descole um passeio de lancha, providencie para que não falte nada para a felicidade dele (e quando eu digo nada, estou dizendo nada mesmo). Com isso, você vai conseguir, quando viajar, que ele conceda a honra de jantar com você uma vez – a seu convite, é claro. Quando voltar, você conta pra todo mundo e exagera um pouco.

Você conseguiu. A partir de agora, você passa a ser conhecido como “o internacional Fulano de Tal”, digno da admiração e da inveja de todos. Você é, apenas, o máximo.

Texto de Danuza Leão

Mãe todos os dias #DiadasMães #MothersDay

Posted 09 mai 2010 — by Sabrina Mix
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Oi, pessoal!

Este é um post programado. Hoje o dia vai ser corrido, por isso não tem como escrever aqui. Enquanto vocês estiverem lendo isso, devo estar tendo um dia super atribulado. Trabalhei na noite de ontem, vou trabalhar hoje à noite também, fora que é Dia das Mães, então tem as comemorações de praxe: churrasco na casa da sogra do meu irmão (vou levar salada!) e comemoração do aniversário do meu irmão mais velho. Nossa, quanta coisa, né?! Tô perdoada por ter programado este post? hehehe…

Bom, trago então mais um texto da minha queridíssima Danuza Leão, publicado em seu Danuza, Todo Dia. Espero que gostem!

EU E MAMIS

Quickpage daqui

Dia das Mães, para muita gente dia de culpas, vamos direto ao assunto: você tem sido um bom filho? Aliás, o que é ser um bom filho?

Às vezes escapa do almoço familiar para ir comer uma feijoada com os amigos, claro; fica de aparecer, mas se pinta um programa maravilhoso, desmarca, e outro dia deixou-a esperando só para ficar em casa sozinho, ouvindo música – será você um monstro? Claro que não. Certas coisas a gente faz com mãe – e só com elas – porque sabe que elas compreendem, justificam e perdoam, aliás, não fazem outra coisa na vida. De amor de mãe a gente tem certeza, por isso abusa.

Essa certeza faz com que às vezes as amizades, o trabalho, os amores passem na frente. A gente manda flores para tanta gente, mas para sua mãe você tem mandado? provavelmente não, mãe a gente não precisa seduzir. E do aniversário, lembra, mesmo quando está em Paris? quando acontece uma briga daquelas feias, no fimdo, no fundo, já se sabe que não vai durar muito, e só as mães têm essa qualidade preciosa: esquecem tudo que os filhos aprontam – senão, como iriam viver?

Nunca ouvi um só adulto dizer, olhando o Sena, “que saudade de mamãe”. Em compensação qualquer mãe, mesmo nas mãos de seqüestradores, conseguitia um telefone só para desejar um feliz aniversário ao filhinho querido que está completando 48 anos. Vai entender esse amor tão maluco, que independe de retribuição e vai continuar, mesmo assim, eterno. Os filhos somem, mudam de cidade, de país, passam anos longe, buscando uma identidade (uma carta a cada seis meses), mas uma mãe dificilmente faz isso.

Quando ela vai jantar em sua casa, se é que vai, fica radiante, com os olhos brilhando de felicidade – e ainda leva a sobremesa; e você? capricha, procura fazer os pratos que ela gosta? Os filhos costumam dizer “hoje vou ter que passar na casa de mamãe”. Ter que passar, deu para entender? dia de filho é todo dia, dia de mãe não é – paciência.

Em qualquer relação, as pessoas se posicionam: “ah, está me tratando mal, vou fazer igualou pior”. Mãe até tenta, mas não consegue. Filho, mesmo o que pisa, maltrata, chicoteia, agride, some, elas estão sempre lá, transbordando de felicidade quando eles dão o ar de sua graça, ou qualquer colherzinha de chá. Mãe padece no próprio paraíso, mas continua adorando os filhos, e vai ser assim até o dia do Juízo Final.

Se consultar um analista e fizer um relato desse amor, sem explicar que se trata de uma relação mãe/filho, o médico interna, no ato. Sinceramente: você faz pela sua mãe a metade do que faz pelos seus filhos? se responder “não” a essa pergunta, estará sendo, pelo menos, sincera. E ela, se for também sincera, vai reconhecer que fez igualzinho, é da vida. Mãe tem que estimular os filhos a ganharem o mundo, viverem suas próprias vidas, e elas só por ali, de prontidão, para o que der e vier. No mundo delas, mas sem sofrer – para não incomodar.

Vamos saber agora o que você preparou para o dia de hoje. Provavelmente vai almoçar na casa dela e chegar com um raminho de flores, sem nem perceber direito o quanto ela está feliz com a sua presença. Mas um dia você vai entender, vá se preparando.

É quando seus filhos começarem a fazer o mesmo que você fez a vida toda com a sua – e isso também é normal. Aí, vai saber que ninguém, jamais, gostou ou gostará de você tanto quanto sua mãe. Você talvez até desconfiasse, mas quando essa hora chegar, vai valorizar, e como. A partir desse dia talvez comece a tratá-Ia de outra maneira, tão boa e tão longe dessas convenções que se nem lembrar de telefonar no dia de hoje, não vai ter a menor importância.

Nossa, como estou séria hoje.

Para conservar o emprego

Posted 03 mai 2010 — by Sabrina Mix
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Oi, pessoal!

Estou na maior correria por aqui, por isso vou deixar vocês com um texto de Danuza Leão, publicado em seu Danuza, Todo Dia.

Mas antes gostaria de deixar um FELIZ ANIVERSÁRIO pro meu irmão mais velho. Te amo de montão, Cris!

Bom, sábado foi o Dia do Trabalho e como não está nada fácil conseguir e manter um emprego, escolhi este tema para postar hoje por aqui. Espero que gostem.

Beijos e boa segunda-feira a todos!

Você precisa trabalhar. É jovem, bonita, uma total gracinha – mas não vá achando que é o suficiente para conseguir trabalho. A concorrência é grande e o que importa é a eficiência – afinal ninguém está à procura da playmate do mês. Mas você teve sorte, amanhã é o primeiro dia do seu primeiro emprego. Está torcendo para que tudo dê certo. E vai dar. Mas preste atenção.

Mesmo que você adore se exibir (e quem não gosta?), evite microssaias colantes, decotes e barrigas de fora. Deixe essas alegrias para os fins-de-semana.

Cuidado com as cores. Abóbora, turquesa, rosa-shocking e estampados berrantes poluem o ambiente de trabalho. Seja suave. Preto também não é lá essas coisas – a não ser que você tenha um velório ou uma passeata depois do expediente. Bijuterias, nada que faça barulho, que chame a atenção.

Mesmo que você fique deslumbrada com um batom tié-sangue, troque por um rosinha, pelos menos entre nove e seis horas. Cuidado com a cor do esmalte, afinal você não é cartomante. Seja como for, mãos muito bem-cuidadas é importante. Não use perfume; saltos, médios ou nenhum. Recomendam-se roupas que não amarrotem e um par de meias extra na bolsa, em caso de acidente. Prenda seus maravilhosos cabelos e use sutiã, sempre.

Quer cair nas graças de seu chefe? Quando atender o telefone, pergunte “quem deseja falar com ele?” no lugar do abominável “quem gostaria?” Se o seu chefe não estiver, diga logo, e só depois pergunte se a pessoa quer deixar o nome. Secretárias costumam inverter a ordem por pura bisbilhotice. Se seu chefe manda dizer que está em reunião, seja delicada para que não percebam tratar-se de uma mentira.

De preferência, não se apaixone por seu patrão. Não implique com a mulher dele, os amigos dele, as namoradas dele. Também não seja puxa-saco. Neutralidade – a melhor política no ambiente de trabalho.

Comer no escritório. As lanchonetes estão caríssimas, eu sei, mas levar aquele lanchinho de casa é triste; será que não dá mesmo para evitar? Por que não tenta mudar seus hábitos alimentares? Tome um café da manhã reforçado, pule o almoço e aproveite para fazer uma dieta. Se não agüentar, um biscoitinho no meio do dia. Mas ou você come o pacote todo ou leva para casa o que sobrou. E as migalhinhas? E as baratinhas?

Nada melhor, bem no meio do expediente, do que a chegada de uma boa muambeira com novidades de Miami. Walkman lilás, sprays variados, agendas eletrônicas, vitaminas, calcinhas sabor morango e tudo com pagamento em duas vezes, existe felicidade maior? Mas seu chefe pode chegar exatamente nesta hora e não gostar nadinha da cena. Cuidado.

Não viva pendurada no telefone, não fique nos corredores conversando e dando gargalhadas ou chorando porque seu namorado sumiu. Guarde suas emoções para depois do expediente. Seja boa colega, leal, quebre um galho quando preciso. Reprima sua curiosidade e não leia os fax que não são dirigidos a você. É difícil, mas tente.

Ah, ia me esquecendo: faça o seu trabalho o melhor que puder. Isso também ajuda muito a conservar o emprego, ser promovida e etc.

Uma pausa na Semana #Alice – Ah, #Brasília

Posted 21 abr 2010 — by Sabrina Mix
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Oi, pessoal!

Hoje é o aniversário da minha mãe adotiva, cidade que me acolheu como filha e me ensinou diversas coisas ao longo desses mais de 25 anos. Brasília, minha ilha, adoro você!

Em homenagem, um texto de Danuza Leão, retirado de seu livro Danuza, Todo Dia, publicado em 1994 (guardemos as devidas proporções, ok?!). Ilustram o post algumas imagens bastante antigas da capital, enviadas por e-mail pelo colega Elias Júnior. Infelizmente não constava o nome do autor das imagens, se alguém souber quem é, favor deixar um comentário no final do post. Aliás, comentem mesmo se não souberem.

Rodoviária

Na chegada, ela até se emocionou. A cidade é linda, com grandes espaços, cheia de flores, mas assustadora. Pesa saber que é ali que acontecem todas aquelas coisas que lê no jornal. De repente, alguns tapumes com o nome, bem grande: Paulo Octávio. Não tem erro: Brasília é aqui mesmo.

Avenida W3

No táxi, antes de chegar no hotel, o primeiro susto; alguém diz “olha o Genebaldo aí atrás”. Genebaldo? É, ele mesmo, num Fiat com motorista, a cinco metros de distância. Visão, no mínimo, perturbadora. Na portaria do hotel, grupos de homens entram, saem, e ela, com a cabeça cheia com tudo que lê, já vai decretando: lobistas, claro.

Congresso Nacional

O tal do poder. Dar uma volta no Congresso é um acontecimento. Parece uma sala de aula (que não é), cheia de jovens alunos indisciplinados (o que também não são) e sem uma autoridade para colocar ordem na bagunça. Um deputado discursa, e os colegas nem aí. Quando não estão falando nos celulares, estão em pé, conversando (de costas) na maior animação. Não há uma só pessoa prestando atenção ao discurso, mas nenhuma mesmo. De repente,’ passa Giuliana Morrone, linda, entrevistando um corrupto. Corrupto? Claro, continuam todos circulando, numa boa, como se nada fosse, ah, Brasília.

Palácio da Alvorada

“Olha o Mercadante! o Fernando Lyra! o Bisol!” Ver de perto pessoas que você acompanha e admira é o máximo, dá vontade de ir falar, conversar sobre a CPI, saber o que vai acontecer, mas cadê coragem? Passa pela ‘Ala Alexandre Costa: mas não é aquele ministro que se recusa a sair? e afinal, por que uma ala com o nome dele? estranha Brasília. Como tem uma cicerone que sabe de tudo, passeia pela sala do cafezinho, é apresentada a parlamentares e sai para visitar um ministro. Profissionalmente, pela primeira vez, socorro!

Palácio da Alvorada

Na porta do Ministério, três da tarde, as câmeras de televisão permanentemente a postos, para que foi inventar? vão pensar que foi propor um negócio, vai ter a cara estampada nos jornais, o país inteiro vai achar que está envolvida numa maracutaia, ai, quanto medo. É paranóia, mas passa pela cabeça, isso passa.

Palácio da Alvorada

É recebida com a maior gentileza. O ministro, inteligente e brilhante, fala da situação, da crise, das saídas para a crise. Ele fala, todos falam, ela não diz uma só palavra. Fica travada, surda, muda, e não quer ser indiscreta, fazer perguntas. Vão achar que é débil mental, e com razão. Foi inventar, agora aguenta.

Capela do Palácio da Alvorada

Vai a um jantar e tropeça nos políticos, aqueles que estão todos os dias nos jornais e na televisão. Em Brasília, deputados e senadores são figurinhas fáceis, que você encontra em qualquer esquina. É como se tivesse caído de pára-quedas no meio do noticiário da TV, dá para entender? Ah, Brasília.

Catedral

Mesmo não conhecendo ninguém, ela se sente íntima de todo mundo, e pensa que sabe o que pensam (quanta ingenuidade). Mas a linguagem é cifrada e, como não conhece os códigos, se sente sobrando. Volta para o hotel, acha que foi tudo fantasia, mas vê o nome Paulo Octávio em néon vermelho em cima de um prédio e se convence: foi tudo verdade.

PS: Presidente, não há um só brasileiro que não confie na sua honestidade.
Mas estamos precisando de mais do que isso, e o episódio Alexandre Costa está pegando mal, presidente, muito mal.

O senhor deve estar indignado, tanto como nós; sofrendo, a gente sabe que está. Estamos nos sentindo órfãos, presidente, e nos sentindo muito sós. Chegue mais perto, fale com a gente. O senhor também vai se sentir menos só.

E agora dois links relcionados que encontrei na net para vocês:

- Brasília | 50 Anos de Fotografia
- uma outra brasilia [blog da maravilhosa Usha Velasco]

Feliz Ano Novo!!!

Posted 22 fev 2010 — by Sabrina Mix
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Bom, minha gente, agora podemos dizer que o ano de 2010 realmente começou. Passou-se o Carnaval e acabou o famigerado Horário de Verão também. Então, pra começar este ano com chave de ouro, selecionei um texto da talentosíssima Danuza Leão para vocês. Está no livro Todo Dia, que estou relendo. Espero que gostem!

Dez mandamentos bastam

E as belas resoluções? que tal pensar que este vai ser o melhor ano de sua vida? não depende só de você, claro, mas uma bela ajuda você pode dar. Quer tentar?

Pra começar, conserve o humor a qualquer preço. Pode parecer difícil, mas custa, na hora do assalto, dizer uma palavrinha gentil? vai aliviar as tensões e pode até ajudar a salvar a sua própria vida. Assaltante também é gente, e se rouba, não é por prazer; se pudesse escolher, preferiria mil vezes estar num veleiro em Angra tomando uma vodca, rodeado de gatinhas e com o som bem alto; mas o problema é social, portanto, parte da culpa é sua. Pense nisso, na hora em que ele estiver arrancando seus brincos. Um momento que você pode transformar, de traumatizante, numa experiência humana e fraterna. Se os brincos não forem de orelha furada, claro.

Quando seu filho chegar com as notas da recuperação (não passou, é claro), afaste os maus pensamentos. Não adianta ficar lembrando dos dois míseros pontinhos em matemática que transformaram as férias marcadas com tanta antecedência, a viagem para o nordeste, os planos, enfim da família inteira. O mais importante – quem não sabe? – é não traumatizar a criança. Já basta sua frustração (dela, a criança). Faça um discurso sério mas cheio de afeto, mostrando que a derrota faz parte da vida, e que para seu futuro (dela, a criança), é bom saber que tropeços acontecem; foi até bom ter perdido o ano, uma lição de vida.

Seja mais carinhosa do que nunca, e não acredite nas aparências. Se o garoto passa as manhãs na praia e as tardes no shopping, no fundo, bem no fundo, é porque está sofrendo tanto com o que aconteceu, que tenta esquecer. E tem, claro, plena consciência do ano perdido, do dinheiro jogado fora etc. Não agrave seus sofrimentos (dela, a criança). E dobre a mesada, para que ela não se sinta nem um pouco culpada.

Seu marido, em cuja carteira você encontrou uma camisinha importada, disse que ganhou na festa do amigo oculto. Nem pestaneje, acredite. Acredite, mas passe a exigir que ele use sempre com você, e não faça clima. Desconfiar da fidelidade do marido? coisa dos anos 50. Seja moderna, alto-astral, pra cima, esse é o segredo da felicidade.

Nas vésperas do Ano-Novo sumiu uma garrafa de uísque e seu perfume francês? seja humana: ela merece. A culpa, aliás, é sua; se tivesse dado de presente, não teria acontecido. Afinal, um ano inteiro cozinhando, lavando, passando, abrindo e fechando suas malas, vendo as roupas novas, os sapatos, os cremes, francamente, tem que entender. A cobiça faz parte dos sentimentos humanos, e querer romper o ano tomando um drinque com gelo, igualzinho ao que ela tantas vezes preparou para você e levou na bandeja, é apenas natural. No lugar de fazer um escândalo, dê uma outra garrafa, da mesma marca, presente de carnaval. Se for mesmo o máximo, cuide da ressaca dela na Quarta-feira de Cinzas. Afinal, quantas suas ela já aturou? E uma mão lava a outra, quem não sabe?

E aquela amizade que desandou, lembra? está na hora de fazer um gesto, estender a mão. Se não tiver sucesso, melhor ainda. Você fica de bonita, passa por generosa, superior, e ela continua com a fama de intratável, insuportável, pode ser melhor?

Chega de sonhar. Se você conseguir parar de fumar e começar a ginástica, já é um bom começo. Quanto ao resto, siga os dez mandamentos. Mesmo não sabendo todos de cor, algo me diz que é por aí. Ou quase.