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Posts para a tag ‘danuza leão’

Mãe todos os dias #DiadasMães #MothersDay

domingo, 9 de maio de 2010

Oi, pessoal!

Este é um post programado. Hoje o dia vai ser corrido, por isso não tem como escrever aqui. Enquanto vocês estiverem lendo isso, devo estar tendo um dia super atribulado. Trabalhei na noite de ontem, vou trabalhar hoje à noite também, fora que é Dia das Mães, então tem as comemorações de praxe: churrasco na casa da sogra do meu irmão (vou levar salada!) e comemoração do aniversário do meu irmão mais velho. Nossa, quanta coisa, né?! Tô perdoada por ter programado este post? hehehe…

Bom, trago então mais um texto da minha queridíssima Danuza Leão, publicado em seu Danuza, Todo Dia. Espero que gostem!

EU E MAMIS

Quickpage daqui

Dia das Mães, para muita gente dia de culpas, vamos direto ao assunto: você tem sido um bom filho? Aliás, o que é ser um bom filho?

Às vezes escapa do almoço familiar para ir comer uma feijoada com os amigos, claro; fica de aparecer, mas se pinta um programa maravilhoso, desmarca, e outro dia deixou-a esperando só para ficar em casa sozinho, ouvindo música – será você um monstro? Claro que não. Certas coisas a gente faz com mãe – e só com elas – porque sabe que elas compreendem, justificam e perdoam, aliás, não fazem outra coisa na vida. De amor de mãe a gente tem certeza, por isso abusa.

Essa certeza faz com que às vezes as amizades, o trabalho, os amores passem na frente. A gente manda flores para tanta gente, mas para sua mãe você tem mandado? provavelmente não, mãe a gente não precisa seduzir. E do aniversário, lembra, mesmo quando está em Paris? quando acontece uma briga daquelas feias, no fimdo, no fundo, já se sabe que não vai durar muito, e só as mães têm essa qualidade preciosa: esquecem tudo que os filhos aprontam – senão, como iriam viver?

Nunca ouvi um só adulto dizer, olhando o Sena, “que saudade de mamãe”. Em compensação qualquer mãe, mesmo nas mãos de seqüestradores, conseguitia um telefone só para desejar um feliz aniversário ao filhinho querido que está completando 48 anos. Vai entender esse amor tão maluco, que independe de retribuição e vai continuar, mesmo assim, eterno. Os filhos somem, mudam de cidade, de país, passam anos longe, buscando uma identidade (uma carta a cada seis meses), mas uma mãe dificilmente faz isso.

Quando ela vai jantar em sua casa, se é que vai, fica radiante, com os olhos brilhando de felicidade – e ainda leva a sobremesa; e você? capricha, procura fazer os pratos que ela gosta? Os filhos costumam dizer “hoje vou ter que passar na casa de mamãe”. Ter que passar, deu para entender? dia de filho é todo dia, dia de mãe não é – paciência.

Em qualquer relação, as pessoas se posicionam: “ah, está me tratando mal, vou fazer igualou pior”. Mãe até tenta, mas não consegue. Filho, mesmo o que pisa, maltrata, chicoteia, agride, some, elas estão sempre lá, transbordando de felicidade quando eles dão o ar de sua graça, ou qualquer colherzinha de chá. Mãe padece no próprio paraíso, mas continua adorando os filhos, e vai ser assim até o dia do Juízo Final.

Se consultar um analista e fizer um relato desse amor, sem explicar que se trata de uma relação mãe/filho, o médico interna, no ato. Sinceramente: você faz pela sua mãe a metade do que faz pelos seus filhos? se responder “não” a essa pergunta, estará sendo, pelo menos, sincera. E ela, se for também sincera, vai reconhecer que fez igualzinho, é da vida. Mãe tem que estimular os filhos a ganharem o mundo, viverem suas próprias vidas, e elas só por ali, de prontidão, para o que der e vier. No mundo delas, mas sem sofrer – para não incomodar.

Vamos saber agora o que você preparou para o dia de hoje. Provavelmente vai almoçar na casa dela e chegar com um raminho de flores, sem nem perceber direito o quanto ela está feliz com a sua presença. Mas um dia você vai entender, vá se preparando.

É quando seus filhos começarem a fazer o mesmo que você fez a vida toda com a sua – e isso também é normal. Aí, vai saber que ninguém, jamais, gostou ou gostará de você tanto quanto sua mãe. Você talvez até desconfiasse, mas quando essa hora chegar, vai valorizar, e como. A partir desse dia talvez comece a tratá-Ia de outra maneira, tão boa e tão longe dessas convenções que se nem lembrar de telefonar no dia de hoje, não vai ter a menor importância.

Nossa, como estou séria hoje.

Para conservar o emprego

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Oi, pessoal!

Estou na maior correria por aqui, por isso vou deixar vocês com um texto de Danuza Leão, publicado em seu Danuza, Todo Dia.

Mas antes gostaria de deixar um FELIZ ANIVERSÁRIO pro meu irmão mais velho. Te amo de montão, Cris!

Bom, sábado foi o Dia do Trabalho e como não está nada fácil conseguir e manter um emprego, escolhi este tema para postar hoje por aqui. Espero que gostem.

Beijos e boa segunda-feira a todos!

Você precisa trabalhar. É jovem, bonita, uma total gracinha – mas não vá achando que é o suficiente para conseguir trabalho. A concorrência é grande e o que importa é a eficiência – afinal ninguém está à procura da playmate do mês. Mas você teve sorte, amanhã é o primeiro dia do seu primeiro emprego. Está torcendo para que tudo dê certo. E vai dar. Mas preste atenção.

Mesmo que você adore se exibir (e quem não gosta?), evite microssaias colantes, decotes e barrigas de fora. Deixe essas alegrias para os fins-de-semana.

Cuidado com as cores. Abóbora, turquesa, rosa-shocking e estampados berrantes poluem o ambiente de trabalho. Seja suave. Preto também não é lá essas coisas – a não ser que você tenha um velório ou uma passeata depois do expediente. Bijuterias, nada que faça barulho, que chame a atenção.

Mesmo que você fique deslumbrada com um batom tié-sangue, troque por um rosinha, pelos menos entre nove e seis horas. Cuidado com a cor do esmalte, afinal você não é cartomante. Seja como for, mãos muito bem-cuidadas é importante. Não use perfume; saltos, médios ou nenhum. Recomendam-se roupas que não amarrotem e um par de meias extra na bolsa, em caso de acidente. Prenda seus maravilhosos cabelos e use sutiã, sempre.

Quer cair nas graças de seu chefe? Quando atender o telefone, pergunte “quem deseja falar com ele?” no lugar do abominável “quem gostaria?” Se o seu chefe não estiver, diga logo, e só depois pergunte se a pessoa quer deixar o nome. Secretárias costumam inverter a ordem por pura bisbilhotice. Se seu chefe manda dizer que está em reunião, seja delicada para que não percebam tratar-se de uma mentira.

De preferência, não se apaixone por seu patrão. Não implique com a mulher dele, os amigos dele, as namoradas dele. Também não seja puxa-saco. Neutralidade – a melhor política no ambiente de trabalho.

Comer no escritório. As lanchonetes estão caríssimas, eu sei, mas levar aquele lanchinho de casa é triste; será que não dá mesmo para evitar? Por que não tenta mudar seus hábitos alimentares? Tome um café da manhã reforçado, pule o almoço e aproveite para fazer uma dieta. Se não agüentar, um biscoitinho no meio do dia. Mas ou você come o pacote todo ou leva para casa o que sobrou. E as migalhinhas? E as baratinhas?

Nada melhor, bem no meio do expediente, do que a chegada de uma boa muambeira com novidades de Miami. Walkman lilás, sprays variados, agendas eletrônicas, vitaminas, calcinhas sabor morango e tudo com pagamento em duas vezes, existe felicidade maior? Mas seu chefe pode chegar exatamente nesta hora e não gostar nadinha da cena. Cuidado.

Não viva pendurada no telefone, não fique nos corredores conversando e dando gargalhadas ou chorando porque seu namorado sumiu. Guarde suas emoções para depois do expediente. Seja boa colega, leal, quebre um galho quando preciso. Reprima sua curiosidade e não leia os fax que não são dirigidos a você. É difícil, mas tente.

Ah, ia me esquecendo: faça o seu trabalho o melhor que puder. Isso também ajuda muito a conservar o emprego, ser promovida e etc.

Uma pausa na Semana #Alice – Ah, #Brasília

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Oi, pessoal!

Hoje é o aniversário da minha mãe adotiva, cidade que me acolheu como filha e me ensinou diversas coisas ao longo desses mais de 25 anos. Brasília, minha ilha, adoro você!

Em homenagem, um texto de Danuza Leão, retirado de seu livro Danuza, Todo Dia, publicado em 1994 (guardemos as devidas proporções, ok?!). Ilustram o post algumas imagens bastante antigas da capital, enviadas por e-mail pelo colega Elias Júnior. Infelizmente não constava o nome do autor das imagens, se alguém souber quem é, favor deixar um comentário no final do post. Aliás, comentem mesmo se não souberem.

Rodoviária

Na chegada, ela até se emocionou. A cidade é linda, com grandes espaços, cheia de flores, mas assustadora. Pesa saber que é ali que acontecem todas aquelas coisas que lê no jornal. De repente, alguns tapumes com o nome, bem grande: Paulo Octávio. Não tem erro: Brasília é aqui mesmo.

Avenida W3

No táxi, antes de chegar no hotel, o primeiro susto; alguém diz “olha o Genebaldo aí atrás”. Genebaldo? É, ele mesmo, num Fiat com motorista, a cinco metros de distância. Visão, no mínimo, perturbadora. Na portaria do hotel, grupos de homens entram, saem, e ela, com a cabeça cheia com tudo que lê, já vai decretando: lobistas, claro.

Congresso Nacional

O tal do poder. Dar uma volta no Congresso é um acontecimento. Parece uma sala de aula (que não é), cheia de jovens alunos indisciplinados (o que também não são) e sem uma autoridade para colocar ordem na bagunça. Um deputado discursa, e os colegas nem aí. Quando não estão falando nos celulares, estão em pé, conversando (de costas) na maior animação. Não há uma só pessoa prestando atenção ao discurso, mas nenhuma mesmo. De repente,’ passa Giuliana Morrone, linda, entrevistando um corrupto. Corrupto? Claro, continuam todos circulando, numa boa, como se nada fosse, ah, Brasília.

Palácio da Alvorada

“Olha o Mercadante! o Fernando Lyra! o Bisol!” Ver de perto pessoas que você acompanha e admira é o máximo, dá vontade de ir falar, conversar sobre a CPI, saber o que vai acontecer, mas cadê coragem? Passa pela ‘Ala Alexandre Costa: mas não é aquele ministro que se recusa a sair? e afinal, por que uma ala com o nome dele? estranha Brasília. Como tem uma cicerone que sabe de tudo, passeia pela sala do cafezinho, é apresentada a parlamentares e sai para visitar um ministro. Profissionalmente, pela primeira vez, socorro!

Palácio da Alvorada

Na porta do Ministério, três da tarde, as câmeras de televisão permanentemente a postos, para que foi inventar? vão pensar que foi propor um negócio, vai ter a cara estampada nos jornais, o país inteiro vai achar que está envolvida numa maracutaia, ai, quanto medo. É paranóia, mas passa pela cabeça, isso passa.

Palácio da Alvorada

É recebida com a maior gentileza. O ministro, inteligente e brilhante, fala da situação, da crise, das saídas para a crise. Ele fala, todos falam, ela não diz uma só palavra. Fica travada, surda, muda, e não quer ser indiscreta, fazer perguntas. Vão achar que é débil mental, e com razão. Foi inventar, agora aguenta.

Capela do Palácio da Alvorada

Vai a um jantar e tropeça nos políticos, aqueles que estão todos os dias nos jornais e na televisão. Em Brasília, deputados e senadores são figurinhas fáceis, que você encontra em qualquer esquina. É como se tivesse caído de pára-quedas no meio do noticiário da TV, dá para entender? Ah, Brasília.

Catedral

Mesmo não conhecendo ninguém, ela se sente íntima de todo mundo, e pensa que sabe o que pensam (quanta ingenuidade). Mas a linguagem é cifrada e, como não conhece os códigos, se sente sobrando. Volta para o hotel, acha que foi tudo fantasia, mas vê o nome Paulo Octávio em néon vermelho em cima de um prédio e se convence: foi tudo verdade.

PS: Presidente, não há um só brasileiro que não confie na sua honestidade.
Mas estamos precisando de mais do que isso, e o episódio Alexandre Costa está pegando mal, presidente, muito mal.

O senhor deve estar indignado, tanto como nós; sofrendo, a gente sabe que está. Estamos nos sentindo órfãos, presidente, e nos sentindo muito sós. Chegue mais perto, fale com a gente. O senhor também vai se sentir menos só.

E agora dois links relcionados que encontrei na net para vocês:

- Brasília | 50 Anos de Fotografia
- uma outra brasilia [blog da maravilhosa Usha Velasco]

Feliz Ano Novo!!!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Bom, minha gente, agora podemos dizer que o ano de 2010 realmente começou. Passou-se o Carnaval e acabou o famigerado Horário de Verão também. Então, pra começar este ano com chave de ouro, selecionei um texto da talentosíssima Danuza Leão para vocês. Está no livro Todo Dia, que estou relendo. Espero que gostem!

Dez mandamentos bastam

E as belas resoluções? que tal pensar que este vai ser o melhor ano de sua vida? não depende só de você, claro, mas uma bela ajuda você pode dar. Quer tentar?

Pra começar, conserve o humor a qualquer preço. Pode parecer difícil, mas custa, na hora do assalto, dizer uma palavrinha gentil? vai aliviar as tensões e pode até ajudar a salvar a sua própria vida. Assaltante também é gente, e se rouba, não é por prazer; se pudesse escolher, preferiria mil vezes estar num veleiro em Angra tomando uma vodca, rodeado de gatinhas e com o som bem alto; mas o problema é social, portanto, parte da culpa é sua. Pense nisso, na hora em que ele estiver arrancando seus brincos. Um momento que você pode transformar, de traumatizante, numa experiência humana e fraterna. Se os brincos não forem de orelha furada, claro.

Quando seu filho chegar com as notas da recuperação (não passou, é claro), afaste os maus pensamentos. Não adianta ficar lembrando dos dois míseros pontinhos em matemática que transformaram as férias marcadas com tanta antecedência, a viagem para o nordeste, os planos, enfim da família inteira. O mais importante – quem não sabe? – é não traumatizar a criança. Já basta sua frustração (dela, a criança). Faça um discurso sério mas cheio de afeto, mostrando que a derrota faz parte da vida, e que para seu futuro (dela, a criança), é bom saber que tropeços acontecem; foi até bom ter perdido o ano, uma lição de vida.

Seja mais carinhosa do que nunca, e não acredite nas aparências. Se o garoto passa as manhãs na praia e as tardes no shopping, no fundo, bem no fundo, é porque está sofrendo tanto com o que aconteceu, que tenta esquecer. E tem, claro, plena consciência do ano perdido, do dinheiro jogado fora etc. Não agrave seus sofrimentos (dela, a criança). E dobre a mesada, para que ela não se sinta nem um pouco culpada.

Seu marido, em cuja carteira você encontrou uma camisinha importada, disse que ganhou na festa do amigo oculto. Nem pestaneje, acredite. Acredite, mas passe a exigir que ele use sempre com você, e não faça clima. Desconfiar da fidelidade do marido? coisa dos anos 50. Seja moderna, alto-astral, pra cima, esse é o segredo da felicidade.

Nas vésperas do Ano-Novo sumiu uma garrafa de uísque e seu perfume francês? seja humana: ela merece. A culpa, aliás, é sua; se tivesse dado de presente, não teria acontecido. Afinal, um ano inteiro cozinhando, lavando, passando, abrindo e fechando suas malas, vendo as roupas novas, os sapatos, os cremes, francamente, tem que entender. A cobiça faz parte dos sentimentos humanos, e querer romper o ano tomando um drinque com gelo, igualzinho ao que ela tantas vezes preparou para você e levou na bandeja, é apenas natural. No lugar de fazer um escândalo, dê uma outra garrafa, da mesma marca, presente de carnaval. Se for mesmo o máximo, cuide da ressaca dela na Quarta-feira de Cinzas. Afinal, quantas suas ela já aturou? E uma mão lava a outra, quem não sabe?

E aquela amizade que desandou, lembra? está na hora de fazer um gesto, estender a mão. Se não tiver sucesso, melhor ainda. Você fica de bonita, passa por generosa, superior, e ela continua com a fama de intratável, insuportável, pode ser melhor?

Chega de sonhar. Se você conseguir parar de fumar e começar a ginástica, já é um bom começo. Quanto ao resto, siga os dez mandamentos. Mesmo não sabendo todos de cor, algo me diz que é por aí. Ou quase.

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