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Amor de mãe

Posted 08 mai 2011 — by Sabrina Mix
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A primeira coisa que se espera de um amor é que ele dure para sempre. Com ou sem casamento – de preferência com -, num amor de verdade se colocam todas as fichas para que ele seja, no mínimo, eterno.

Mas existe um tipo de amor que já nasce predestinado à separação: é o amor de uma mãe por um filho. Elas sabem que um dia ele vai se apaixonar por uma mulher com a qual terão não só de conviver como de gostar – por amor a ele. Faz sentido? Claro que não.

Durante anos, a figura mais importante da vida de um menino é a mãe; se fosse possível, ele gostaria que ela jamais saísse de perto, dia e noite, só tendo olhos para ele.

Só que o tempo passa, as coisas mudam, um dia aparece a primeira namorada, e a mãe – aquela que era a única sobre a terra – passa a ocupar um lugar secundário na escala de afetos do seu amado filho.

Se o namoro está indo bem, ele não pára em casa e mal tem tempo de trocar um alô – conversar, nem pensar. Se o namoro vai mal, pior ainda: ele se tranca no quarto e não quer saber de falar com ninguém, muito menos com ela, a mãe, a culpada, já que desde o primeiro dia foi contra o namoro (contra esse e contra todos, aliás).

Morta de ciúmes, a mãe observa como ele trata bem a namorada – todas elas; é para ela o melhor pedaço da galinha, a última empadinha da travessa, a cereja do bolo e, se a mãe se distrair, ele pede, com olhos doces, aquele brinco de pérola verdadeira que ela ganhou quando fez quinze anos para dar à sua eleita. E o pior: ela é bem capaz de dar. A cada atenção do filho para com a namorada, a cada “meu amor”, a mãe sente uma punhalada no coração, mas tem de sorrir e fingir que está muito feliz. Francamente, amor de mãe é normal?

Todo filho, quando fala ao telefone com a mãe, termina sempre com um pequeno comentário do tipo “ai, como minha mãe fala” – a não ser que seja um assunto do interesse dele, claro. Você já ouviu falar de algum que tenha ido a um restaurante novo, comido uma coisa bem gostosa e dito “vou trazer minha mãe aqui, ela vai adorar”? Se dissesse, iria até pegar mal com os companheiros de mesa; mas isso se dissesse, o que nunca aconteceu na história da civilização.

As mães são delirantes e, quando estão em crise – e sempre estão -, pensam nas coisas mais absurdas, como por exemplo: se estivessem no Titanic e, no bote salva-vidas, só coubessem duas pessoas, é claro que ele salvaria a namorada e a deixaria morrer afogada. Essa mãe, no dia de uma grande briga – por ciúmes, claro -, disse ao filho que tinha certeza de que ele faria isso; ele ouviu estarrecido, mas não foi capaz de negar. Sinal evidente de que ela tinha razão.

Mas sejamos justas: alguns filhos são bem legais e às vezes telefonam para perguntar se podem aparecer para jantar. A mãe fica toda feliz, manda fazer aquele prato que ele adora e, no fundo, lá no fundo do coração, pensa, já animada: “Será que eles brigaram?” Afinal, no meio da semana, ele ir jantar sozinho deve querer dizer alguma coisa. Bota um vestido bem bonito, se arruma do jeito que sabe que ele gosta, mas não recebe um só elogio. E filho por acaso elogia mãe?

Ela oferece um drinque, ele prefere uma Coca-Cola, janta com a cabeça nas nuvens e, minutos depois do café, o celular toca. É ela, a outra, dizendo que o chá-de-bebê acabou e que ele já pode ir buscá-la.

O mundo é mesmo muito cruel.

Texto de Danuza Leão
Imagem daqui

Mãe todos os dias #DiadasMães #MothersDay

Posted 09 mai 2010 — by Sabrina Mix
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Oi, pessoal!

Este é um post programado. Hoje o dia vai ser corrido, por isso não tem como escrever aqui. Enquanto vocês estiverem lendo isso, devo estar tendo um dia super atribulado. Trabalhei na noite de ontem, vou trabalhar hoje à noite também, fora que é Dia das Mães, então tem as comemorações de praxe: churrasco na casa da sogra do meu irmão (vou levar salada!) e comemoração do aniversário do meu irmão mais velho. Nossa, quanta coisa, né?! Tô perdoada por ter programado este post? hehehe…

Bom, trago então mais um texto da minha queridíssima Danuza Leão, publicado em seu Danuza, Todo Dia. Espero que gostem!

EU E MAMIS

Quickpage daqui

Dia das Mães, para muita gente dia de culpas, vamos direto ao assunto: você tem sido um bom filho? Aliás, o que é ser um bom filho?

Às vezes escapa do almoço familiar para ir comer uma feijoada com os amigos, claro; fica de aparecer, mas se pinta um programa maravilhoso, desmarca, e outro dia deixou-a esperando só para ficar em casa sozinho, ouvindo música – será você um monstro? Claro que não. Certas coisas a gente faz com mãe – e só com elas – porque sabe que elas compreendem, justificam e perdoam, aliás, não fazem outra coisa na vida. De amor de mãe a gente tem certeza, por isso abusa.

Essa certeza faz com que às vezes as amizades, o trabalho, os amores passem na frente. A gente manda flores para tanta gente, mas para sua mãe você tem mandado? provavelmente não, mãe a gente não precisa seduzir. E do aniversário, lembra, mesmo quando está em Paris? quando acontece uma briga daquelas feias, no fimdo, no fundo, já se sabe que não vai durar muito, e só as mães têm essa qualidade preciosa: esquecem tudo que os filhos aprontam – senão, como iriam viver?

Nunca ouvi um só adulto dizer, olhando o Sena, “que saudade de mamãe”. Em compensação qualquer mãe, mesmo nas mãos de seqüestradores, conseguitia um telefone só para desejar um feliz aniversário ao filhinho querido que está completando 48 anos. Vai entender esse amor tão maluco, que independe de retribuição e vai continuar, mesmo assim, eterno. Os filhos somem, mudam de cidade, de país, passam anos longe, buscando uma identidade (uma carta a cada seis meses), mas uma mãe dificilmente faz isso.

Quando ela vai jantar em sua casa, se é que vai, fica radiante, com os olhos brilhando de felicidade – e ainda leva a sobremesa; e você? capricha, procura fazer os pratos que ela gosta? Os filhos costumam dizer “hoje vou ter que passar na casa de mamãe”. Ter que passar, deu para entender? dia de filho é todo dia, dia de mãe não é – paciência.

Em qualquer relação, as pessoas se posicionam: “ah, está me tratando mal, vou fazer igualou pior”. Mãe até tenta, mas não consegue. Filho, mesmo o que pisa, maltrata, chicoteia, agride, some, elas estão sempre lá, transbordando de felicidade quando eles dão o ar de sua graça, ou qualquer colherzinha de chá. Mãe padece no próprio paraíso, mas continua adorando os filhos, e vai ser assim até o dia do Juízo Final.

Se consultar um analista e fizer um relato desse amor, sem explicar que se trata de uma relação mãe/filho, o médico interna, no ato. Sinceramente: você faz pela sua mãe a metade do que faz pelos seus filhos? se responder “não” a essa pergunta, estará sendo, pelo menos, sincera. E ela, se for também sincera, vai reconhecer que fez igualzinho, é da vida. Mãe tem que estimular os filhos a ganharem o mundo, viverem suas próprias vidas, e elas só por ali, de prontidão, para o que der e vier. No mundo delas, mas sem sofrer – para não incomodar.

Vamos saber agora o que você preparou para o dia de hoje. Provavelmente vai almoçar na casa dela e chegar com um raminho de flores, sem nem perceber direito o quanto ela está feliz com a sua presença. Mas um dia você vai entender, vá se preparando.

É quando seus filhos começarem a fazer o mesmo que você fez a vida toda com a sua – e isso também é normal. Aí, vai saber que ninguém, jamais, gostou ou gostará de você tanto quanto sua mãe. Você talvez até desconfiasse, mas quando essa hora chegar, vai valorizar, e como. A partir desse dia talvez comece a tratá-Ia de outra maneira, tão boa e tão longe dessas convenções que se nem lembrar de telefonar no dia de hoje, não vai ter a menor importância.

Nossa, como estou séria hoje.