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A revolução feminina

Posted 31 out 2010 — by Sabrina Mix
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PARABÉNS, DILMA! FAÇA UM BOM GOVERNO

As coisas mudaram, e as mulheres conseguiram muita coisa, mas vamos ser sinceras: eles ajudaram, e muito. Temos que agradecer a esses homens generosos, que não só nos aceitam como somos hoje, liberadas, como ainda nos deixam pensar que conseguimos tudo sozinhas. Sem eles não teríamos, jamais, conquistado tantos direitos.

O direito ao trabalho, por exemplo. Nossas mães passaram a vida em casa, orientando as empregadas para que não faltassem os pratinhos prediletos, pregando botão nas camisas e rezando, protegidas da selvageria das ruas. Se eram felizes? Claro que não, e quem pode ser feliz ignorando o que se passa no mundo? Mas agora, ah, agora sim.

Como trabalham, elas têm que acordar mais cedo para servir o café e vestir as crianças para o colégio, mas em compensação sabem tudo sobre o conflito da Bósnia, os poços perfurados nas fazendas do deputado Inocêncio, a verba liberada para os dentes de ouro dos congressistas. Entraram no fluxo da vida, declaram Imposto de Renda, e eles, apesar de terem perdido muitos privilégios, compreenderam e aceitaram até mesmo que elas participem das despesas da casa, o máximo.

O sagrado direito a uma bebida (às vezes), até isso alguns entendem; mas, protetores por natureza, estarão sempre por perto controlando a hora de parar (mulher não sabe beber). No plebiscito, vão deixar que votem no que quiserem; são tão liberais que alguns até casaram com moças que não eram mais virgens, sem se incomodar. Dão permissão para que citem ex-namorados (com limites) e até toleram quando elas falam, suspirando, do tango dançado por Al Pacino. Houve um tempo em que nada disso podia, é bom não esquecer.

Outra conquista foi o direito de dividir as despesas no restaurante; nas viagens cada um paga sua passagem, e o hotel também é meio a meio. Foi difícil, mas eles enfim entenderam o quanto isso nos faria sentir seguras e independentes. Aceitam presentes numa boa e até flores se pode mandar, que coisa boa um homem que deixa aflorar seu lado feminino.

Quando vão ao cinema (e quem escolhe o filme?), enquanto eles procuram uma vaga, elas entram na fila e compram as entradas; nenhum, jamais, se lembrou de perguntar quanto foi, são distraídos. Se é fim de mês, com três notas na carteira, dá até vontade de falar, mas deixa pra lá, pode parecer mesquinharia coisa mesmo de mulher.

Elas têm total liberdade para escolher o colégio dos filhos e comparecer às reuniões de pais, ter conta no banco, cartão de crédito, trocar de empregada etc. Eles só interferem em assuntos mais sérios, tipo o itinerário da viagem, a cor da parede da sala e do sofá, a troca do carro etc., e com razão: mulher às vezes tem umas idéias meio loucas, é bom estar sempre de olho. Mas podem até deixar que elas viajem com uma amiga (dependendo do tipo de amiga, claro), desde que por poucos dias. De preferência para Nova York, de preferência com uma conotação de trabalho, tipo “preciso estudar as tendências, me reciclar”. Ilhas gregas, nem pensar.

Às vezes ela se sente cansada. Além de tudo que faz, tem a obrigação de estar sempre cheirosinha, gostosinha, de unha e cabelo feitos, de bom humor, e depois de dez anos isso cansa, ah, cansa. Um belo dia joga tudo pro alto e se atira na cama com uma revista, e se quando ele chega não tem jantar, tudo bem, trata-se de um homem que entende a alma feminina.

Mas tem aquele dia que nem revista, nem disco, nem livro, nem vodca, nada dá jeito. Ela fica calada olhando pro teto, e isso ele não suporta. Fica inseguro e repete a pergunta clássica: “pensando em quê?” Para evitar um clima ela disfarça, passa uma escova no cabelo e percebe que a mais preciosa liberdade a ser conquistada é mesmo o direito de ficar sozinha, pensando. Mas será que não está querendo demais?

Texto de Danuza Leão, uma mulher maravilhosa

Profissão de futuro

Posted 30 set 2010 — by Sabrina Mix
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Oi, pessoal!

Estou super sem tempo de escrever por aqui, produzindo muitos scraps, mas não queria deixar meu cantinho abandonado, não é?!

Então hoje trago aqui para vocês um texto de autoria de Danuza Leão, super pertinente para nosso momento atual.

Houve um tempo em que quando se perguntava a uma criança o que ela queria ser quando crescesse, a resposta variava entre artista de cinema, médico ou aviador. Anos depois, a moda era a arquitetura; depois veio economia, administração de empresas, isso para não falar do sonho eterno: ser funcionário público. Na década de 80, a meta suprema era ser cantor de rock ou ator da Globo, mas agora já se sabe: ser deputado é apenas a melhor coisa do mundo.

Poder, dinheiro, notoriedade, um futuro pra lá de garantido (aposentadoria com oito anos de casa), quem não quer? A grande dúvida: federal ou estadual? Estadual é jóia; não faz o sacrifício de trabalhar de terça a quinta (e em Brasília), e sem ninguém para controlar a frequência ao trabalho, dá até para pegar uma praia. Perde o auxílio moradia, mas tem o privilégio de morar na cidade mais bonita do mundo, e cada vantagem de dar gosto. No momento estão todos de carro novo, zerinho, com chapa fria e lugar privativo para estacionar em plena Santa Clara (motorista e 500 litros de gasolina por mês); melhor, impossível.

Para os que gostam de usar terno e gravata, uma verba especial para cuidar da elegância; eles pensam em tudo. Quem faz o gênero mais esportivo resolve com uma boa camisa desabotoada, o peito à mostra (sem precisar abrir mão da tal verba especial, é bom lembrar). Vai chegar o dia em que estarão todos de bermuda, sandália modelito Joãozinho Malta, eles merecem.

Deputados, sobretudo os federais, são vistos freqüentemente à tarde em programas de televisão, sob o pretexto de divulgar as idéias do partido; mas bater papo a tarde inteira, sentado entre um ginecologista e uma cantora, será que tem a ver?

Brasília oferece a vantagem das viagens internacionais. O senador Ney Maranhão só a Paris já foi 35 vezes e à China 5, tem melhor? Eles viajam muito e sempre em grupo para se inteirar do problema da aftosa na Índia, da condição dos drogados em Bruxelas, do cultivo da beterraba em Bangcoc; quando o itinerário interessa, levam as esposas, e alguns privilegiados conseguem integrar a delegação do Brasil na ONU.

São três meses no bem-bom, com passaporte vermelho, primeira classe, diárias altíssimas, assistência médica, dentária, telefone pago, e o direito de contratar um monte de assessores – dá pra arrumar a família toda – com salários maravilhosos. Aumentam os seus próprios, a imprensa chia e continua tudo exatamente igual. E melhor que tudo, exercem o belo sentimento da solidariedade: podem cometer qualquer tipo de crime, que dificilmente serão processados.

O que fazer para ser eleito? No Rio é fundamental ter um bom pé no futebol, no samba, em rádio/televisão. Se tiver trânsito em todas essas áreas, está resolvido.

Esta semana, o Congresso Nacional previu uma despesa de 3,2 milhões de dólares para viagens de parlamentares ao exterior. Oh, dúvida cruel: federal ou estadual?

Mas nada é perfeito, e hoje em dia, tiradas as honrosas exceções, confessar que é deputado está pegando mal. E se os ilustres não se mancarem, dentro de muito pouco tempo, quando alguém quiser ofender uma pessoa basta apontar, falando bem alto: “não adianta negar, você é deputado sim, posso provar”. Melhor sair de perto, vai ter gente querendo linchar.

Sinceramente: você deixaria sua filha namorar um?